15 de setembro de 2009

sitting, waiting, wishing

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Ele disse que eu não sei o que quero. E, embora tenha discordado veementemente, sou obrigada a concordar que, em partes, ele tem razão.

Admito minha volubilidade. Apenas me deixo guiar pelo vento que sopra em cada momento, me levando para direções diferentes a cada dia. Sem me prender a (quase) nada, vou vivendo e aprendendo a viver, de acordo com o que a própria vida me oferece.

Desisti de tentar moldar meu futuro conforme meus devaneios juvenis de amores perfeitos e amizades eternas. Desisti de fazer planos, de construir gigantescos castelos de ilusão e lágrimas, desisti de sonhar acordada com finais felizes doces e inverossímeis. E talvez tenha sido bem melhor assim. Quando parei de me preocupar com o que o que faria da minha vida, a vida encarregou-se de escolher o melhor para mim.

E nessa novela de encontros e desencontros, vou conhecendo as pessoas e descobrindo a mim mesma. Vou aprendendo a ter paciência, entendendo que algumas coisas merecem ser construídas paulatinamente, tijolo por tijolo, assentados com a argamassa da convivência e da confiança.

Hoje não mais me desespero se as coisas não saíram exatamente como eu desejava. Aceito, apenas. E espero, pacientemente, o dia em que a vida decidir que é a hora certa de sentir e sorrir.


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4 de agosto de 2009

café, política e um pouco mais.

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Procuro, em vão, expressões que possam, por ventura, revelar, ainda que superficialmente, a vida em curso e a paixão que arrebata os meus dias.

Diante do vazio significado das palavras banais, entendo, mais uma vez, que algumas coisas não podem – e não devem – ser descritas ou concretamente representadas. É, também, vã a busca pelas explicações racionais para tudo aquilo que foge à consciência. Mais uma vez, tento me despir do vicio vil de tentar entender o que necessita, apenas, ser vivido.

Viver, apenas. Talvez eu não esteja pronta para o hedonismo - as amarras ideológicas mantêm-me presa às convenções, instituições e proibições. E nessa luta diária contra os moralismos banais, entrego-me à força das ondas que me arrebatam para o mar das descobertas.

Permitir-me navegar ao sabor das marés levou-me de volta a velhos portos abandonados no passado. O vento levou-me de encontro às crenças que eu havia guardado no fundo da gaveta da adolescência, argumentando ser, apenas, um devaneio juvenil. Agora, anos mais tarde, o fantasma da utopia volta com força suficiente para convencer-me de que o tempo não é capaz de mudar um ideal.

Talvez caiba delegar os méritos por boa parte dessa força que me impele à vida. Embora eu tenha colaborado com a minha disposição em aceitar o novo, admito minha reles coadjuvância nesse processo. Agradeço, então, por ter sido resgatada do conformismo e por ter sido apresentada a um mundo que parecia estar à minha espera – ou eu à espera dele.

Agradeço também pela companhia, paciência, pelos cafés em tardes vazias, pelos lanches nas madrugadas de debates deliciosamente intermináveis. Agradeço pelas explicações e pelo entusiasmo absolutamente contagiante diante do meu pessimismo de praxe. Agradeço por me fazer, aos poucos, voltar a acreditar que é possível e que eu não estou sozinha. Agradeço pelo carinho, por me chamar de gordinha e por me fazer rir, bagunçando meu cabelo, enquanto me pergunta porque é tão bom estar ali.

Cada vez mais entendo que algumas mudanças são irremediáveis. As escolhas que fiz levaram-me a um novo lugar, meu, longe das amarras que me prendiam ao passado. E, embora mantenha alguns laços que considero impreteríveis e continue acreditando no valor supremo da família, meus passos me levam para longe de casa. Cada vez mais longe, até que eu esqueça o que é lar. Cada vez mais perto de um lugar que é meu.

Ao olhar para trás, vejo, ao longe, lembranças etéreas esvaindo-se no ar seco de agosto e recordações vivas, presas a mim pelo perfume em minhas roupas e pelo sorriso em meu rosto. E ao voltar-me ao horizonte a minha frente, me aquece a alma o calor do sol-vida que desponta na aurora desses novos dias.



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18 de julho de 2009

post it

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Algumas noites merecem um post.
Talvez porque é a maneira mais simples de registrar momentos que, por certo, irão se perder com o tempo, se misturando com outras, futuras ou já vividas.
Ou talvez para dar vazão a esse sentimento estranho que me acordou hoje - com um sorriso no rosto que não quer me deixar...
Algumas noites nos trazem gratas surpresas, capazes de transformar até os piores prognósticos em admiráveis finais felizes.
Algumas noites... é, grande noite.



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17 de julho de 2009

consciência [?]

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um dia eu ainda aprendo a não usar os outros para satisfazer os meus caprichos.



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15 de julho de 2009

e desde quando precisa fazer sentido?

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Instável. Meu humor, meus desejos, meus medos, meus sonhos... A cada dia, sentimentos - confusos, intensos e volúveis. Esse embate eterno entre meus valores e minhas vontades...

Mudei o perfil do orkut umas quatro vezes ontem à noite. E por fim, não consegui encontrar canção adequada ao 'quem sou eu'. Deixei em branco. O vazio é amostra do excesso. Tantas coisas não cabem em uma só.

Nas últimas semanas, perdi a conta de quantos posts escrevi e não publiquei. Me canso rápido do que escrevo: do início ao último ponto, tantas coisas já mudaram e eu não mais me reconheço naquilo que escrevi. Apago, deleto. E começo de novo, tentando transformar em prosa impressões borradas do momento fugaz...

No entanto, agradeço. Me agrada o excesso. Vida nunca é demais. Experiências, sensações, decepções - pulsando. O amanhã, incerto, me atrai. E então me entrego, braços abertos para abraçar o mundo. E me perco em mim. Meus pensamentos, confusos, rápidos. Planos, frases feitas. Música, música, música...

Saudade.

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10 de julho de 2009

growing

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msn, 2 da manhã.


Bisteka: você num vale nada, hein?!
Patricia: o problema é que nem todo mundo sabe lidar com o excesso de liberdade repentino... e não é assim tbm. algum valor eu tenho!
Bisteka: mas você aprende a lidar com isso... não é tão difícil assim! e é claro que tem seu valor... um golinho só... mas tem!
Patricia: tô começando a acreditar nessa historia de não valer nada. sem drama. tô mesmo.
Bisteka: tô brincando com você, viu?! você aprende! é só saber diferenciar algumas coisas.
Patricia: por exemplo?
Bisteka: às vezes você é um pouco ingênua... com um tantinho de malicia também! mas o equilíbrio você alcança conforme o tempo passa...
Patricia: como assim? isso lá é possível? ingenuidade com malícia?
Bisteka: seria o perfeito! todo homem quer uma mulher assim!
Patricia: ahh, mas é coisa da idade eu acho. pensa, eu tenho 19 anos. sou muito mais criança do que mulher.
Bisteka: às vezes é mais mulher do que criança.
Patricia: entendi.
Bisteka: e ser mulher não é ser necessariamente séria, sem brincar! mas acho que você não precisa se preocupar com isso. só não deixe de ser você mesma! isso é a tal maturidade pela qual você está passando agora...



e ele tem toda a razão.


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8 de julho de 2009

petit chanson

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♪ E pelo visto,
vou te inserir na minha paisagem
e você vai me ensinar as suas verdades... ♪



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28 de junho de 2009

DR

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E ontem eu aprendi que a vida tem que ser como propaganda da Avon:a gente conversa, a gente se entende.




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21 de junho de 2009

hello stranger

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♪ Well stranger, I know nothing. I better take a time at this time. I know you said, but I’m sorry. I want to work it out. All my friends are also your friends. And that makes you less a stranger. And your name, I’ve hearded it somewhere, but I still want to work it out. With all do respect, your kisses make me mad. But don’t worry, I’ll keep my eyes on you. Why is this so weird, I feel I’ve known you for years. You can sleep, I’ll just keep my eyes on you. I’m already glad that I met you. I like to see life from your eyes. Doesn’t matter what awaits us. I will deal with that surprise. Even though I know you have a lot in your mind, the future, the pass and the planes you might fly. I just want to tell you, that this love is true. You’re a stranger, but you’re mine. ♪



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14 de junho de 2009

enxugando gelo

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E eu desenvolvi uma paixão quase obsessiva por ‘Tudo o que sólido pode derreter’.
Talvez seja apenas mais uma das minhas fases, em que eu me torno fã incondicional e depois abandono as velhas paixões, substituindo-as por algum novo ‘achado’.

Mas o Tudo foi, de fato, um achado. Eu não tenho tido tempo para assistir tv, mas o hábito de ligar o aparelho assim que chego em casa – talvez para aplacar a dilacerante sensação de estar sozinha – me trouxe essa grata surpresa. Na verdade, posso dizer fui fisgada pela música absolutamente singular que emanava daquela caixinha. Poderia até afirmar que foi ao ouvir os primeiros versos de ‘As Coisas’ que eu me apaixonei.

Me apaixonei pela fotografia. Os tons de cinza e essa atmosfera ‘autumn in London’, combinando com a pele branco-nuvem do João Felipe, numa sinergia quase etérea. Me apaixonei pelos diálogos, pelas reflexões da Thereza e pelas passagens literárias, que na verdade são o viés de toda a história.

Mas, sobretudo, me apaixonei pela trilha sonora. Indie, em essência. Intimista e magistralmente arranjada, mostrando que o minimalismo musical é, quando bem executado, um mérito. Me apaixonei por aquela batidinha que entra pelos ouvidos e preenche a alma com uma sensação boa, reconfortante, me fazendo esquecer, por alguns segundos, do (louco) mundo lá fora. Quase um entorpecente.

Me apaixonei por Tiê e Sweet Jardim ‘e cada um por si, na sua própria bolha de ar’.
Me apaixonei por Vinicius Calderoni e ‘olhos tão repletos de te desejar’.
Me apaixonei por Érika Machado e ‘as coisas querem ser coisas que na verdade não são’ que eu canto compulsivamente há algumas semanas...

Talvez a paixão se arrefeça com o fim a temporada. Talvez eu pare de cantarolar o lalarálaiarará de Chá Verde. Talvez eu pare de procurar provas irrefutáveis de que o Marcos gosta da Thereza. Talvez eu pare de achar que o João Felipe é a cara do Edward.

E quando isso acontecer, será a prova de que – com o perdão do trocadilho – tudo o que é sólido pode derreter.


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