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E ontem eu aprendi que a vida tem que ser como propaganda da Avon:a gente conversa, a gente se entende.
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28 de junho de 2009
21 de junho de 2009
hello stranger
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♪ Well stranger, I know nothing. I better take a time at this time. I know you said, but I’m sorry. I want to work it out. All my friends are also your friends. And that makes you less a stranger. And your name, I’ve hearded it somewhere, but I still want to work it out. With all do respect, your kisses make me mad. But don’t worry, I’ll keep my eyes on you. Why is this so weird, I feel I’ve known you for years. You can sleep, I’ll just keep my eyes on you. I’m already glad that I met you. I like to see life from your eyes. Doesn’t matter what awaits us. I will deal with that surprise. Even though I know you have a lot in your mind, the future, the pass and the planes you might fly. I just want to tell you, that this love is true. You’re a stranger, but you’re mine. ♪
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♪ Well stranger, I know nothing. I better take a time at this time. I know you said, but I’m sorry. I want to work it out. All my friends are also your friends. And that makes you less a stranger. And your name, I’ve hearded it somewhere, but I still want to work it out. With all do respect, your kisses make me mad. But don’t worry, I’ll keep my eyes on you. Why is this so weird, I feel I’ve known you for years. You can sleep, I’ll just keep my eyes on you. I’m already glad that I met you. I like to see life from your eyes. Doesn’t matter what awaits us. I will deal with that surprise. Even though I know you have a lot in your mind, the future, the pass and the planes you might fly. I just want to tell you, that this love is true. You’re a stranger, but you’re mine. ♪
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14 de junho de 2009
enxugando gelo
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E eu desenvolvi uma paixão quase obsessiva por ‘Tudo o que sólido pode derreter’.
Talvez seja apenas mais uma das minhas fases, em que eu me torno fã incondicional e depois abandono as velhas paixões, substituindo-as por algum novo ‘achado’.
Mas o Tudo foi, de fato, um achado. Eu não tenho tido tempo para assistir tv, mas o hábito de ligar o aparelho assim que chego em casa – talvez para aplacar a dilacerante sensação de estar sozinha – me trouxe essa grata surpresa. Na verdade, posso dizer fui fisgada pela música absolutamente singular que emanava daquela caixinha. Poderia até afirmar que foi ao ouvir os primeiros versos de ‘As Coisas’ que eu me apaixonei.
Me apaixonei pela fotografia. Os tons de cinza e essa atmosfera ‘autumn in London’, combinando com a pele branco-nuvem do João Felipe, numa sinergia quase etérea. Me apaixonei pelos diálogos, pelas reflexões da Thereza e pelas passagens literárias, que na verdade são o viés de toda a história.
Mas, sobretudo, me apaixonei pela trilha sonora. Indie, em essência. Intimista e magistralmente arranjada, mostrando que o minimalismo musical é, quando bem executado, um mérito. Me apaixonei por aquela batidinha que entra pelos ouvidos e preenche a alma com uma sensação boa, reconfortante, me fazendo esquecer, por alguns segundos, do (louco) mundo lá fora. Quase um entorpecente.
Me apaixonei por Tiê e Sweet Jardim ‘e cada um por si, na sua própria bolha de ar’.
Me apaixonei por Vinicius Calderoni e ‘olhos tão repletos de te desejar’.
Me apaixonei por Érika Machado e ‘as coisas querem ser coisas que na verdade não são’ que eu canto compulsivamente há algumas semanas...
Talvez a paixão se arrefeça com o fim a temporada. Talvez eu pare de cantarolar o lalarálaiarará de Chá Verde. Talvez eu pare de procurar provas irrefutáveis de que o Marcos gosta da Thereza. Talvez eu pare de achar que o João Felipe é a cara do Edward.
E quando isso acontecer, será a prova de que – com o perdão do trocadilho – tudo o que é sólido pode derreter.
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E eu desenvolvi uma paixão quase obsessiva por ‘Tudo o que sólido pode derreter’.
Talvez seja apenas mais uma das minhas fases, em que eu me torno fã incondicional e depois abandono as velhas paixões, substituindo-as por algum novo ‘achado’.
Mas o Tudo foi, de fato, um achado. Eu não tenho tido tempo para assistir tv, mas o hábito de ligar o aparelho assim que chego em casa – talvez para aplacar a dilacerante sensação de estar sozinha – me trouxe essa grata surpresa. Na verdade, posso dizer fui fisgada pela música absolutamente singular que emanava daquela caixinha. Poderia até afirmar que foi ao ouvir os primeiros versos de ‘As Coisas’ que eu me apaixonei.
Me apaixonei pela fotografia. Os tons de cinza e essa atmosfera ‘autumn in London’, combinando com a pele branco-nuvem do João Felipe, numa sinergia quase etérea. Me apaixonei pelos diálogos, pelas reflexões da Thereza e pelas passagens literárias, que na verdade são o viés de toda a história.
Mas, sobretudo, me apaixonei pela trilha sonora. Indie, em essência. Intimista e magistralmente arranjada, mostrando que o minimalismo musical é, quando bem executado, um mérito. Me apaixonei por aquela batidinha que entra pelos ouvidos e preenche a alma com uma sensação boa, reconfortante, me fazendo esquecer, por alguns segundos, do (louco) mundo lá fora. Quase um entorpecente.
Me apaixonei por Tiê e Sweet Jardim ‘e cada um por si, na sua própria bolha de ar’.
Me apaixonei por Vinicius Calderoni e ‘olhos tão repletos de te desejar’.
Me apaixonei por Érika Machado e ‘as coisas querem ser coisas que na verdade não são’ que eu canto compulsivamente há algumas semanas...
Talvez a paixão se arrefeça com o fim a temporada. Talvez eu pare de cantarolar o lalarálaiarará de Chá Verde. Talvez eu pare de procurar provas irrefutáveis de que o Marcos gosta da Thereza. Talvez eu pare de achar que o João Felipe é a cara do Edward.
E quando isso acontecer, será a prova de que – com o perdão do trocadilho – tudo o que é sólido pode derreter.
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11 de junho de 2009
debelatum est
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♪ Me despeço dessa história e concluo:
a gente segue a direção que
o nosso próprio coração mandar.
E foi pra lá, e foi pra lá... ♪
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♪ Me despeço dessa história e concluo:
a gente segue a direção que
o nosso próprio coração mandar.
E foi pra lá, e foi pra lá... ♪
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hermanos
9 de junho de 2009
caminho
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A vida tem me dado oportunidades demais. Muito mais do que eu mereço e muito além do que eu posso aproveitar. Na verdade, apenas me fez ver como o mundo é grande e cabe na palma da minha mão, se eu quiser.
Mas, diante das opções (usando, talvez, o termo mais indelicado para se referir a esse tema), algo cá, dentro de mim, tenta me convencer de que menos é mais. E essa força se faz agora presente nas mãos trêmulas, no frio na barriga, nos momentos de raiva inexplicável e na ansiedade incontrolável durante as longas noites que precedem o novo dia.
Relutei em aceitar o que eu sabia estar acontecendo. Medo. Diante de um abismo, não é possível saber se encontraremos a dor da queda ou seremos salvos por algum anjo distraído...
E então me rendi aos fatos. Reconheci que os meus tropeços nesse caminho que eu vinha trilhando tão confortavelmente são apenas sinais de que algo alterou o rumo dos meus passos.
Há algumas horas, sentada no fundo do auditório, entendi e aceitei que tudo o que eu estava sentindo e todas as besteiras que eu fiz no fim de semana tinham, de fato, um motivo.
E de mãos dadas com o medo de um futuro incerto, uma alegria estranha - daquelas que fazem escapar uma lágrima enquanto provocam o riso - tomou conta de todas as terminações nervosas do meu corpo.
Com um suspiro longo e forte, acreditei no que estava, literalmente, diante dos meus olhos.
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A vida tem me dado oportunidades demais. Muito mais do que eu mereço e muito além do que eu posso aproveitar. Na verdade, apenas me fez ver como o mundo é grande e cabe na palma da minha mão, se eu quiser.
Mas, diante das opções (usando, talvez, o termo mais indelicado para se referir a esse tema), algo cá, dentro de mim, tenta me convencer de que menos é mais. E essa força se faz agora presente nas mãos trêmulas, no frio na barriga, nos momentos de raiva inexplicável e na ansiedade incontrolável durante as longas noites que precedem o novo dia.
Relutei em aceitar o que eu sabia estar acontecendo. Medo. Diante de um abismo, não é possível saber se encontraremos a dor da queda ou seremos salvos por algum anjo distraído...
E então me rendi aos fatos. Reconheci que os meus tropeços nesse caminho que eu vinha trilhando tão confortavelmente são apenas sinais de que algo alterou o rumo dos meus passos.
Há algumas horas, sentada no fundo do auditório, entendi e aceitei que tudo o que eu estava sentindo e todas as besteiras que eu fiz no fim de semana tinham, de fato, um motivo.
E de mãos dadas com o medo de um futuro incerto, uma alegria estranha - daquelas que fazem escapar uma lágrima enquanto provocam o riso - tomou conta de todas as terminações nervosas do meu corpo.
Com um suspiro longo e forte, acreditei no que estava, literalmente, diante dos meus olhos.
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25 de maio de 2009
Fluoxetina 20mg
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E eu preciso mesmo aprender a controlar essa ansiedade.
E também preciso aprender a lidar melhor com o que está fora do meu controle. Mas não sei se a tática do ‘talvez tenha sido melhor assim/tudo tem seu tempo’ realmente funciona. Quando eu quero alguma coisa, eu quero agora.
Por isso acredito que três semanas é um tempo maior do que o suportável – para não dizer patológico. E essa sensação de estar deixando de viver/aproveitar muita coisa nesse interim é emocionalmente dilacerante...
Três semanas,
acho melhor eu parar de contar.
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E eu preciso mesmo aprender a controlar essa ansiedade.
E também preciso aprender a lidar melhor com o que está fora do meu controle. Mas não sei se a tática do ‘talvez tenha sido melhor assim/tudo tem seu tempo’ realmente funciona. Quando eu quero alguma coisa, eu quero agora.
Por isso acredito que três semanas é um tempo maior do que o suportável – para não dizer patológico. E essa sensação de estar deixando de viver/aproveitar muita coisa nesse interim é emocionalmente dilacerante...
Três semanas,
acho melhor eu parar de contar.
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24 de maio de 2009
instinto
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E a utopia de ser mãe volta, de tempos em tempos, e me faz repensar sobre a verdadeira dimensão de gerar uma nova vida.
Mas desta vez questionei os outros 50% do zigoto. E percebi que a minha vivência e meu ideal de figura paterna se tornaram verdadeiros beligerantes.
Se me orgulho de dizer 'pai e mãe, ouro de mina', também coloco em xeque a imprescindibilidade da figura masculina. Pela primeira vez repenso o verdadeiro significado do termo 'produção independente'.
Talvez seja uma responsabilidade grande demais ter que escolher um pai para os filhos. Não há nada que garanta a validade dos vínculos marido/mulher. Não a ponto de ser possível compartilhar com outra pessoa a incumbência de gerar, proteger e viabilizar a existência de um filho.
Em tempos de volubilidade emocional, onde o menor vento é capaz de desmanchar os laços entre os casais, não seria sensato condenar uma criança a ligar-se a um pai que pode tornar-se ausente, relapso ou não-afetivo. Os filhos não têm culpa.
E se o homem não é mais o responsável exclusivo pelo sustento das famílias, a figura da mãe-provedora deixou de ser uma utopia. A emancipação feminina está virtualmente completa...
Virtualmente. A perpetuação da espécie ainda depende dos gametas masculinos.
E eu tenho, dentro de casa, a prova maior de que ter um Pai é uma das grandes venturas da vida.
Fato é que minha incredulidade nas relações interpessoais não é capaz de suprimir o instinto materno. E também não vou reduzir [sarcasticamente] a participação masculina a simples detalhe técnico...
Que os anos façam-se luz nesse meu beco sem saída.
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E a utopia de ser mãe volta, de tempos em tempos, e me faz repensar sobre a verdadeira dimensão de gerar uma nova vida.
Mas desta vez questionei os outros 50% do zigoto. E percebi que a minha vivência e meu ideal de figura paterna se tornaram verdadeiros beligerantes.
Se me orgulho de dizer 'pai e mãe, ouro de mina', também coloco em xeque a imprescindibilidade da figura masculina. Pela primeira vez repenso o verdadeiro significado do termo 'produção independente'.
Talvez seja uma responsabilidade grande demais ter que escolher um pai para os filhos. Não há nada que garanta a validade dos vínculos marido/mulher. Não a ponto de ser possível compartilhar com outra pessoa a incumbência de gerar, proteger e viabilizar a existência de um filho.
Em tempos de volubilidade emocional, onde o menor vento é capaz de desmanchar os laços entre os casais, não seria sensato condenar uma criança a ligar-se a um pai que pode tornar-se ausente, relapso ou não-afetivo. Os filhos não têm culpa.
E se o homem não é mais o responsável exclusivo pelo sustento das famílias, a figura da mãe-provedora deixou de ser uma utopia. A emancipação feminina está virtualmente completa...
Virtualmente. A perpetuação da espécie ainda depende dos gametas masculinos.
E eu tenho, dentro de casa, a prova maior de que ter um Pai é uma das grandes venturas da vida.
Fato é que minha incredulidade nas relações interpessoais não é capaz de suprimir o instinto materno. E também não vou reduzir [sarcasticamente] a participação masculina a simples detalhe técnico...
Que os anos façam-se luz nesse meu beco sem saída.
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21 de maio de 2009
finados
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Ontem assisti ao jogo do Timão em um bar da rodoviária.
Eu (tomando Tampico) e uns cinco caras bebendo cerveja e falando besteira.
Eles xingaram, vibraram, opinaram e me fizeram dar boas risadas com suas histórias e as expressões de raiva ou alegria toda vez que o Ronaldo pegava na bola.
Fui embora antes do jogo acabar.
O dono do bar teve que fechar mais cedo. Tinham que ir a um velório.
As velhas portas de metal enferrujado baixaram e aqueles homens se foram, cambaleantes, procurar outro lugar pra assistir ao fim do segundo tempo.
Eu fui para o meu ônibus.
Na viagem, morte, vida, futebol e cerveja se misturavam na minha mente absorta pelo sono.
O dono do bar nunca mais vai ver o amigo falecido.
E eu nunca mais vou ver aquelas pessoas que mudaram a minha noite.
Viver é ter aceitar a morte que chega mais perto a cada dia.
E morrer nem sempre é apenas deixar de estar vivo.
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Ontem assisti ao jogo do Timão em um bar da rodoviária.
Eu (tomando Tampico) e uns cinco caras bebendo cerveja e falando besteira.
Eles xingaram, vibraram, opinaram e me fizeram dar boas risadas com suas histórias e as expressões de raiva ou alegria toda vez que o Ronaldo pegava na bola.
Fui embora antes do jogo acabar.
O dono do bar teve que fechar mais cedo. Tinham que ir a um velório.
As velhas portas de metal enferrujado baixaram e aqueles homens se foram, cambaleantes, procurar outro lugar pra assistir ao fim do segundo tempo.
Eu fui para o meu ônibus.
Na viagem, morte, vida, futebol e cerveja se misturavam na minha mente absorta pelo sono.
O dono do bar nunca mais vai ver o amigo falecido.
E eu nunca mais vou ver aquelas pessoas que mudaram a minha noite.
Viver é ter aceitar a morte que chega mais perto a cada dia.
E morrer nem sempre é apenas deixar de estar vivo.
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muros
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Nunca fui um poço de cordialidade. Admiro-me até com as amizades que eu consegui conquistar no colegial. Algumas daquelas pessoas merecem um prêmio por me agüentar em todas as manhãs de mau humor e ainda serem meus amigos até hoje...
Hoje vejo que a tendência anti-social, que eu fazia questão de deixar explícita, era apenas um mecanismo de defesa. Eu tinha medo. Medo das pessoas, medo de ser magoada, medo de não ser aceita, medo de ficar sozinha. Para me proteger, fechei-me em copas, construindo muros altos para que ninguém visse quem era, de fato, aquela menina estranha atrás dos óculos...
Poucos conseguiram, verdadeiramente, transpor os muros que ergui. Alguns por insistência; outros, poucos, porque eu permiti. Para esses escolhidos, abri as portas da minha vida, da minha casa, da minha mente e do meu coração. As confidências, as lágrimas, os porres, os filmes, os micos, as tardes na escola, as brigas, as fotos... As mesmas fotos que hoje vejo na parede do meu quarto em Marília.
A Medicina me levou embora e criou barreiras talvez maiores do que os muros que eu outrora construí.
Ainda bem! Aquelas pessoas que estavam realmente próximas ficaram do lado dentro dos muros. Quanto às demais, os muros, a distância, o tempo e a vida se encarregaram de afastar ainda mais de mim.
Não sou de acreditar em destino, mas, na primeira semana de Marília, perdi toda a agenda do meu celular. Hoje, dois meses depois, o meu chip tem apenas os poucos números que eu realmente faço questão de ter. Obra do destino ou simples coincidência, aqueles nomes na minha agenda representam exatamente as amizades que as muralhas da vida ainda não puderam destruir.
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Nunca fui um poço de cordialidade. Admiro-me até com as amizades que eu consegui conquistar no colegial. Algumas daquelas pessoas merecem um prêmio por me agüentar em todas as manhãs de mau humor e ainda serem meus amigos até hoje...
Hoje vejo que a tendência anti-social, que eu fazia questão de deixar explícita, era apenas um mecanismo de defesa. Eu tinha medo. Medo das pessoas, medo de ser magoada, medo de não ser aceita, medo de ficar sozinha. Para me proteger, fechei-me em copas, construindo muros altos para que ninguém visse quem era, de fato, aquela menina estranha atrás dos óculos...
Poucos conseguiram, verdadeiramente, transpor os muros que ergui. Alguns por insistência; outros, poucos, porque eu permiti. Para esses escolhidos, abri as portas da minha vida, da minha casa, da minha mente e do meu coração. As confidências, as lágrimas, os porres, os filmes, os micos, as tardes na escola, as brigas, as fotos... As mesmas fotos que hoje vejo na parede do meu quarto em Marília.
A Medicina me levou embora e criou barreiras talvez maiores do que os muros que eu outrora construí.
Ainda bem! Aquelas pessoas que estavam realmente próximas ficaram do lado dentro dos muros. Quanto às demais, os muros, a distância, o tempo e a vida se encarregaram de afastar ainda mais de mim.
Não sou de acreditar em destino, mas, na primeira semana de Marília, perdi toda a agenda do meu celular. Hoje, dois meses depois, o meu chip tem apenas os poucos números que eu realmente faço questão de ter. Obra do destino ou simples coincidência, aqueles nomes na minha agenda representam exatamente as amizades que as muralhas da vida ainda não puderam destruir.
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